Afinal, o que é Ser, Humano?

                Pressupondo-se, então, que nem a individualidade e nem mesmo a individuação, alicerçam a identidade do EU, do sujeito que somos, não daquela figura que nos tornamos, vale indagar, afinal, o que é ser, humano?

Nós humanos somos formados por um conjunto anatomofisiológico, perfeito, independentemente das diferentes formas de expressão. Absolutamente apropriado destacar que, a desqualificação do homem se dá por definição elaborada por ele mesmo e não pelas suas respostas oferecidas ao meio em que se insere. É essa constituição que nos permite responder às demandas do mundo interno, ou, necessidades próprias, bem como para a interação com as demais criaturas e o ambiente que ocupamos. Ou seja, todo esse requinte funcional, que não nos faz melhor ou pior, somente identifica, desdobra-se no segundo quesito inquestionável da nossa essência: trocamos, agregando novos elementos pelas diferenças oferecidas e ofertamos, pela necessidade de colocarmos em comum a realidade produzida no âmago de um universo próprio. A finalidade para essa engrenagem está tão somente voltada para a edificação de algo, ainda não tão bem definido por nossa ignorância, mas, somos criadores.

Em verdade, até esse instante, tornamo-nos criadores sem muito sentido. Atropelamos a própria velocidade, corrompemos os princípios do tempo e violamos as barreiras do espaço. A razão para essa máxima pode ser verificada através do comportamento impulsivo, predominante, que atua com exímia corrupção diante da naturalidade que nos origina. Ao criador não cabe o rito. Somos absolutamente ritualistas. Seguimos horários absolutos, repetimos tarefas infindáveis e levamos uma vida mecânica do nascimento à morte. Alcançamos uma capacidade tamanha que, produzimos incômodo e desconforto se ao despertarmos não pentearmos os cabelos antes de escovar os dentes. Uma doença socialmente aceita. O que fere é o aumento significativo da incidência de pessoas com obsessões e compulsões, transtornos e personalidades. Entretanto, a nocividade está tão grande, que se formos levar ao pé da letra o que é conveniente, e por isso aceito pelo coletivo, deparamo-nos com uma legião de doentinhos.

A partir desse ponto, fomentamos seres compulsivos. Relacionamo-nos com drogas lícitas e ilícitas para conseguirmos alcançar aquilo que nossa natureza já oferece, mas é aniquilada. Não dormimos, comemos como se fôssemos viciados severos, fazendo da alimentação uma outra droga que nos mata gradativamente, bebemos, fumamos e assim vai. Agora, isso é o visível e o condenável. Não priorizamos um raso tão impactante quanto o anterior. Mentimos e omitimos para agradar ao outro ou conquistar o que nos interessa. Somos orgulhosos ao ponto de blindar nossas verdades. Desonestos com discursos puritanos de práticas angelicais. Pior! Acreditamos, veementemente nos homens como seres supremos, soberanos e de maior capacidade.

Instaura-se uma auto necrose. O sujeito, responsável exclusivo por essa dinâmica, vai decompondo-se e esvaindo-se por insatisfação e frustração. Um processo filosófico interessante e ao mesmo tempo decadente. Pior do que fora a lepra e a gripe espanhola, essa agressão é igualmente contagiosa, padronizando-se como um comportamento condicionado, padrão, para a resposta humana. Forma-se com isso um circo de vidas parasitárias que se consomem. Uma identificação coletiva para o desvio absurdo de um devir natural frente a introjeção de um modo de vida que aniquila e decompõe o potencial verdadeiramente humano: ser livre e exercer seu livre arbítrio, sua liberdade de escolha.

Afinal, o que é ser, humano?! Algo a se discorrer com muita precisão e cautela, mas, seu princípio elementar está em nutrir-se de seu próprio tempo, centrando-se em si e alcançando um desenvolvimento gradativo e interminável, respeitando as diferenças e fazendo-se moral para o universo de diversidades que complementa, forma e faz viver.

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